Quatro da Manhã

Quatro da Manhã

São quatro da manhã. A casa inteira parece ter feito um acordo silencioso com a noite. Só eu continuo acordado, encarando um teto que não responde, enquanto os pensamentos insistem em abrir gavetas que passei anos mantendo fechadas.

É curioso como a madrugada muda o peso das coisas. Durante o dia, a pressa disfarça perguntas, empurra lembranças para depois e convence a gente de que está tudo bem. Mas, quando o mundo adormece, sobra apenas a companhia da própria consciência. E ela sempre fala baixo, sem acusações, apenas lembrando do que fomos, do que deixamos para trás e do que ainda podemos ser.

Descobri que a insônia nem sempre é falta de sono. Às vezes, é a alma pedindo alguns minutos de atenção. É o momento em que sonhos esquecidos, projetos cobertos de poeira e velhas feridas voltam à superfície, não para nos prender ao passado, mas para mostrar que ainda existe um caminho adiante.

Quando o primeiro raio de sol atravessa a janela, percebo que a noite não resolveu todos os meus problemas. Ainda existem perguntas sem resposta. Mas ela me devolveu algo que eu havia perdido na correria dos dias: a coragem de me escutar.

Talvez seja por isso que algumas respostas só apareçam quando tudo parece parado. Não porque a madrugada tenha respostas, mas porque, finalmente, fazemos silêncio suficiente para ouvi-las.

Ouça a canção completa nas principais redes de streaming.
Procure por Quatro da Manhã.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *