Cronicantos

Haja Luz

Haja Luz

Eram cinco e pouca da manhã. Abro os olhos e o quarto ainda é escuro, num breu que parece espelhar o interior da minha própria mente. Antes mesmo de afastar o lençol, o peso do dia bate à minha porta. É uma visita indesejada, pontual, carregando uma prancheta invisível com todas as obrigações, prazos e problemas que me aguardam do lado de fora. Sinto aquele silêncio espesso de quem mal despertou e lido com a mente dispersa que o cansaço da véspera deixou de herança. Continue lendo

Quatro da Manhã

Quatro da Manhã

São quatro da manhã. A casa inteira parece ter feito um acordo silencioso com a noite. Só eu continuo acordado, encarando um teto que não responde, enquanto os pensamentos insistem em abrir gavetas que passei anos mantendo fechadas. É curioso como a madrugada muda o peso das coisas. Durante o dia, a pressa disfarça perguntas, empurra lembranças para depois e convence a gente de que está tudo bem. Mas, quando o mundo adormece, sobra apenas a companhia da própria consciência. E ela sempre fala baixo, Continue lendo

Voltar para casa

Voltar para casa

Existe uma ideia muito difundida de que o amor se mede pelos grandes gestos: pelas declarações, pelos presentes, pelos beijos apaixonados e pelas promessas feitas em momentos especiais. Talvez por isso tantas pessoas acreditem que, quando essas demonstrações diminuem, o amor também desapareceu.Mas o tempo ensina outra linguagem.O amor amadurece de um jeito silencioso. Ele deixa de precisar provar que existe. Passa a morar nos detalhes quase invisíveis, na presença constante, na paciência diante das imperfeições, na decisão de continuar construindo a mesma história mesmo Continue lendo